Se o seu site atende pessoas em mais de um idioma ou país, você quer que cada visitante veja a versão certa nos resultados de busca: quem fala espanhol, a página em espanhol; quem compra em Portugal, os preços em euros; quem está no Brasil, o site brasileiro. O SEO internacional é a forma de fazer isso acontecer – e o hreflang é a ferramenta central dele.
Escolha uma estrutura de site
Há três formas comuns de organizar o conteúdo internacional:
| Estrutura | Exemplo | Prós | Contras |
|---|---|---|---|
| Domínios de código de país | example.de, example.fr | Sinal de país mais forte, confiança local | Caro, autoridade dividida entre domínios, mais manutenção |
| Subdomínios | de.example.com | Fácil de hospedar separadamente | Autoridade parcialmente separada, sinal geográfico mais fraco |
| Subpastas | example.com/de/ | Compartilha a autoridade do domínio principal, mais fácil de manter | Sinal de país mais fraco que um ccTLD |
Para a maioria das empresas, as subpastas oferecem o melhor equilíbrio: um único domínio constrói autoridade para todos os idiomas. Use ccTLDs quando tiver recursos para manter operações realmente separadas em cada país.
Seja qual for a escolha, evite depender de parâmetros de URL (?lang=fr) ou mostrar idiomas diferentes na mesma URL com base em cookies ou endereço IP – os buscadores precisam de uma URL única para cada versão.
Segmentação por idioma vs. por país
Decida se você vai segmentar por idioma, por país ou pelos dois:
- Uma versão em espanhol para todos os falantes de espanhol → segmentação por idioma (
es) - Versões diferentes para Espanha e México → idioma mais região (
es-ES,es-MX) - Uma versão em português, mas com preços separados para Brasil e Portugal → variantes regionais (
pt-BR,pt-PT)
Só crie variantes por país quando o conteúdo realmente for diferente (moeda, preços, informações legais, ortografia, produtos). Cópias quase idênticas para cada país do mesmo idioma aumentam a manutenção sem muito benefício.
O que o hreflang faz
As anotações hreflang dizem aos buscadores que várias URLs são versões equivalentes do mesmo conteúdo para idiomas ou regiões diferentes. Elas ajudam os buscadores a mostrar a URL certa para cada pessoa – e evitam que as versões alternativas sejam tratadas como duplicatas concorrentes.
<link rel="alternate" hreflang="en" href="https://example.com/">
<link rel="alternate" hreflang="en-GB" href="https://example.com/uk/">
<link rel="alternate" hreflang="fr" href="https://example.com/fr/">
<link rel="alternate" hreflang="x-default" href="https://example.com/">
O Google usa o hreflang; o Bing se apoia mais na meta tag content-language e no atributo HTML lang, então defina esses também.
As regras que importam
1. Toda versão lista todas as versões – inclusive ela mesma
O conjunto completo de tags hreflang deve aparecer em todas as páginas do grupo. Cada página inclui uma entrada autorreferente.
2. Os links de retorno são obrigatórios
Se a página em inglês aponta para a página em francês, a página em francês precisa apontar de volta para a página em inglês. Sem links recíprocos, o Google pode ignorar as anotações. Esse é o erro de hreflang mais comum.
Valide tags hreflang e confirme se cada versão de idioma aponta de volta.
3. Use códigos válidos
- Idioma: código ISO 639-1 de duas letras (
en,fr,de,ar) - Região opcional: código ISO 3166-1 alfa-2 (
GB,US,MX) - A região sozinha é inválida (
hreflang="uk"significa ucraniano, e não Reino Unido) - O Reino Unido é
GB: useen-GB, nuncaen-UK
4. Adicione o x-default
O x-default indica a página a mostrar quando nenhuma outra versão corresponde à pessoa – normalmente um seletor de idioma ou a sua página internacional principal.
5. Aponte para URLs canônicas e indexáveis
Toda URL no hreflang deve retornar 200, ser indexável e ser a própria canônica. Não aponte o hreflang para redirecionamentos ou páginas com noindex, e não aponte a canonical de uma versão de idioma para outra.
Gere tags hreflang para cada versão de idioma e região de uma página.
Três formas de implementar o hreflang
- Tags link no HTML, no
<head>– o mais fácil para sites pequenos - Cabeçalhos HTTP – para arquivos que não são HTML, como PDFs
- Sitemap XML – o melhor para sites grandes, deixa o HTML leve e é mais fácil de gerenciar de forma centralizada
<url>
<loc>https://example.com/fr/</loc>
<xhtml:link rel="alternate" hreflang="en" href="https://example.com/"/>
<xhtml:link rel="alternate" hreflang="fr" href="https://example.com/fr/"/>
<xhtml:link rel="alternate" hreflang="x-default" href="https://example.com/"/>
</url>
Use um único método de forma consistente; misturá-los aumenta a chance de erros.
Além do hreflang
- Traduza direito. Tradução automática sem revisão costuma ficar ruim de ler. Localize moedas, unidades, datas, exemplos e referências culturais.
- Localize os metadados. Traduza títulos, descrições, textos alternativos e URLs (slugs) quando for viável.
- Não redirecione automaticamente pelo IP. Redirecionar visitantes com base na localização pode impedir que o Googlebot (que rastreia principalmente a partir dos EUA) veja as outras versões. Mostre um banner sugerindo a versão local.
- Linke as versões entre si com um seletor de idioma visível, usando links normais.
- Defina o atributo HTML
lange a direção do texto (dir="rtl"para árabe e hebraico). - Conquiste links e menções locais em cada mercado.
Erros comuns com hreflang
- Links de retorno ausentes
- Códigos inválidos, como
en-UKouukpara o Reino Unido - Entradas autorreferentes ausentes
- Hreflang apontando para URLs redirecionadas, quebradas ou com noindex
- Tags canonical apontando todos os idiomas para uma única versão
- Hreflang só na página inicial, e não nas páginas internas
Um exemplo prático
Uma loja virtual brasileira vende no Brasil, em Portugal, em países de língua espanhola e para clientes de língua inglesa. Os preços são diferentes no Brasil (BRL) e em Portugal (EUR).
Estrutura: subpastas em um único domínio.
| Versão | URL | hreflang |
|---|---|---|
| Português – Brasil | example.com/ | pt-BR |
| Português – Portugal | example.com/pt/ | pt-PT |
| Espanhol | example.com/es/ | es |
| Inglês | example.com/en/ | en |
| Alternativa padrão | example.com/ | x-default |
Cada página de cada versão traz as cinco anotações. As versões em espanhol e em inglês miram no idioma, e não em um único país, porque a loja atende falantes desses idiomas em vários países com o mesmo conteúdo. As versões do Brasil e de Portugal diferem na moeda, nas informações de entrega e na ortografia, então recebem códigos regionais separados.
Idiomas da direita para a esquerda
Árabe, hebraico, persa e urdu são escritos da direita para a esquerda. Para essas versões:
- Defina
dir="rtl"no elemento<html>, junto com olangcorreto - Espelhe o layout – navegação, ícones que indicam direção e alinhamento do texto
- Use propriedades lógicas de CSS (
margin-inline-startem vez demargin-left) para que uma única folha de estilos funcione nas duas direções - Confira se números, URLs e textos com idiomas misturados aparecem corretamente
Medindo o desempenho internacional
No Google Search Console, você pode filtrar o relatório de Desempenho por país e por página, então compare os cliques e as impressões de cada pasta de idioma nos países-alvo. Se as páginas em espanhol recebem impressões principalmente da Espanha, mas faltam os públicos do México e da Argentina, avalie se variantes regionais ou conteúdo local ajudariam. Confira também se as pessoas de cada país estão chegando à versão certa – se quem pesquisa em Portugal cai nas páginas brasileiras, revise o hreflang e as diferenças de conteúdo.
Checklist de SEO internacional
- Uma URL única para cada versão de idioma ou região
- Estrutura de site escolhida (ccTLD, subdomínio ou subpasta) e usada de forma consistente
- Hreflang em todas as versões, incluindo autorreferências e x-default
- Links de retorno recíprocos entre todas as versões
- Códigos de idioma e região válidos
- Canonicals autorreferentes em todas as versões
- Conteúdo, títulos e descrições traduzidos e localizados
- Atributos HTML
langedirdefinidos - Nenhum redirecionamento automático por IP; um seletor de idioma visível no lugar
- Acompanhamento de desempenho separado para cada mercado
Principais conclusões
- Sites internacionais precisam de uma URL única para cada versão de idioma ou região.
- Subpastas em um único domínio são o melhor equilíbrio entre autoridade e manutenção para a maioria das empresas.
- O hreflang precisa ser recíproco e incluir uma autorreferência em todas as versões.
- Use códigos válidos – idioma mais região opcional, como pt-BR – e adicione o x-default.
- Cada versão precisa de uma canonical autorreferente; nunca aponte a canonical de um idioma para outro.
- Evite redirecionamentos automáticos por IP e ofereça um seletor de idioma visível.
Perguntas frequentes
Preciso de hreflang em um site com um único idioma?
Não. O hreflang serve só para sites com conteúdo equivalente em vários idiomas ou regiões.
O hreflang é um fator de ranqueamento?
Não. Ele não faz as páginas subirem no ranking; ajuda os buscadores a mostrar a versão certa para o público certo.
O Google usa o atributo HTML lang?
O Google detecta o idioma pelo próprio conteúdo e usa o hreflang para as versões alternativas. Definir o atributo lang continua sendo importante para a acessibilidade e para outros buscadores.
Posso traduzir o meu site automaticamente?
Pode, mas revise as traduções automáticas. Traduções automáticas de baixa qualidade em escala podem ser tratadas como conteúdo de pouco valor.
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